
Antes de qualquer coisa, devo dizer que foi injusto com Brad Meltzer. E, principalmente, com Rags Morales. Quando Crise de Identidade saiu por aqui, eu comprei o primeiro número da série. Não gostei muito da capa de Michael Turner nem me envolvi com a história, talvez por envolver personagens secundários da DC – e, portanto, desimportantes ao meu ver.
Acontece que deixar de acompanhar Crise de Identidade me fez ver/ler a série superficialmente. Ao focar no específico (capa, arte, roteiro), eu perdi o todo. E, assim, perdi uma GRANDE história, que fala dos heróis como poucas até agora fizeram – se é que já fizeram.
E o engraçado disso tudo é que este encadernado nunca esteve em quaisquer das minhas listas de compras, mas seguidamente eu o folheva nas idas semanais à Livraria Cultura. Até que, certo dia, ficou impossível não levá-lo pra casa junto com outros gibis. Levei, li e fiquei maravilhado. Mas esperei uma releitura, completa, para fazer o devido review, como qualquer grande história merece.
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Capítulo Um
ESQUIFE
A capa da primeira edição denuncia um momento definitivo na história da Liga da Justiça – e foi isso, justamente, que me fugiu na primeira leitura. Me concentrei em Ralph Dibny, o Homem-Elástico, e em Sue Dibny, sua esposa, cuja morte era altamente adivinhável, devido à forma como a trama era conduzida. E se, lá atrás, isso havia me deixado um tanto incomodado, na leitura do encadernado eu finalmente consegui ver a beleza desta edição.
A arte de Morales passou de caricaturesca a impressionante, principalmente nos momentos mais emocionantes envolvendo Ralph. Gosto muito da sua expressão quando ao telefone com Sue, mas mais impressionante ainda é a página em que ele abraça a esposa falecida. O funeral é um momento evidentamente emocionante, com Ralph mal conseguindo conter seus músculos. Mas não dá pra deixar de citar o impacto do último quadro, do rosto enfurecido de Ralph quando clama pelo Doutor Luz.
E se Rags Morales faz um ótimo trabalho, menos não se pode dizer de Brad Meltzer e a forma como ele conduz a narrativa, envolvente, sempre completando a parte visual de forma precisa.
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Capítulo Dois
CASA DAS MENTIRAS
O que era uma trama de mistério começa a se transformar em algo muito maior. Unidos para atender o apelo de Ralph, Zatanna, Elektron, Gavião Negro, Arqueiro Verde e Canário Negro veem-se acuados pelo Flash e revelam porque o assassino de Sue não poderia ser outro que não o Doutor Luz. A revelação é uma das cenas mais impactantes da série, em uma sequência de quadros memorável da dupla Meltzer-Morales.
Como se a violência contra Sue não fosse o bastante, é nesta parte que se coloca outro grande dilema da série: desnorteados com a loucura do vilão e sem saber como agir contra possíveis novos ataques a familiares e amigos, os heróis tomam uma decisão até então inimaginável. É bem verdade que nunca um supergrupo havia sido colocado em uma situação tão extrema (ainda mais tratando-se da DC, cuja especialidade é ameaçar todo o Universo em suas infinitas crises), mas simplesmente cogitar uma reação tão… real de quem deveria estar acima de tudo é, no mínimo, chocante.
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Capítulo Três
ASSASSINO EM SÉRIE
Pausa para uma grande cena de ação. A luta contra o Exterminador é, realmente, o ponto alto da deste capítulo. Mas não apenas pelo confronto com Slade. Somente a partir do momento em que lutam como equipe é que o grupo vence o vilão, mas a vitória acaba por fazer com que o Doutor Luz lembre-se de tudo que foi feito com ele, em uma solução visual brilhante (sem trocadilhos) de Morales.
Se Crise de Identidade coloca os heróis diante de um terrível dilema moral, aqui Ollie trata de abordar mais o problema, em uma conversa com Wally: cita o momento em que a LJA teve seus corpos trocados com um grupo de vilões, além do ataque a Barbara Gordon (leia A Piada Mortal) para justificar seus atos, deixando implícito que outras vezes difíceis decisões tiveram que ser tomadas. E que isso afetou profundamente o relacionamento entre os heróis.
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Capítulo Quatro
QUEM SE BENEFICIA?
Ainda não foi encontrado o assassino de Sue Dibny e mais uma pessoa é atacada em seu apartamento, dessa vez Jean Loring, ex-mulher de Ray Palmer, o Elektron. A busca pela verdade permeia este capítulo, em que o Batman lança no ar a questão fundamental para encontrar o misterioso assassino: “essa é a primeira regra para se solucionar um crime. Se queremos saber quem o cometeu, temos antes que encontrar quem se beneficia“.
Por mais que pareça que este é um capítulo em que nada acontece, é a partir daqui que Bruce Wayne passa a ser um dos principais personagens da história.
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Capítulo Cinco
DIA DOS PAIS
No melhor capítulo da série, a entrada do Batman na história se torna definitva a partir do momento em que se exploram os relacionamentos entre pais e filhos. Do Capitão Bumerangue com o filho que acabou por conhecer já adulto. De Tim Drake, o Robin, com seu pai, Jack. E, evidentemente, do próprio Bruce com Tim.
Toda a sequência que envolve Bruce e Tim no carro, em uma corrida desenfreada para evitar o pior, é espetacular. Emocionante, angustiante, comovente. Aqui, Meltzer e Morales chegam ao ápice. Para mim, é o melhor momento de toda a série (a ponto de a morte de um querido herói, em páginas anteriores, passar para completo segundo plano ao final da leitura).
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Capítulo Seis
MARIDOS & ESPOSAS
O horror dos ataques aos entes queridos fica explícito na magnífica arte de página inteira de Rags Morales do momento em que o Batman abraça Tim, tentando reconfortá-lo. As investigações continuam, e a revelação mais aterrorizante da trama acontece quando o Flash questiona o Arqueiro Verde sobre a participação de Bruce na decisão sobre o Doutor Luz. É neste momento que caem todas as máscaras. É neste momento que Crise de Identidade se torna especial. Se já estava difícil aceitar uma ação radical contra um vilão, aceitar a manipulação de um herói – no caso, de um dos maiores ícones da editora – se torna quase impossível. E imagem da LJA reunida, que culmina em um close granulado do Batman, é brilhante ao explicar o momento sem se valer de palavras.
Por outro lado, a partir do momento em que os pontos começam a se ligar, em que a trama começa a se resolver, Meltzer é brilhante no desfecho que leva ao gancho final, na economia de palavras e no quadro negro que deixa o leitor num suspense tremendo. (Esperar pela última edição tendo lido esse final deve ter sido terrível!)
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Capítulo Sete
VIDA DE HERÓI
Logo de início, a identidade do assassino de Sue Dibny é revelada. E, por mais surpreendente que seja, ela responde perfeitamente ao questionamento feito pelo Batman: “quem se beneficia”? Acontece que a solução do mistério acaba sendo, por si só, uma das coisas menos importantes da série. Evidentemente que é algo chocante, que os motivos são discutíveis (mas compreensíveis), mas o que fica são as consequências de todas as revelações para o futuro da LJA.
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Por tudo o que aconteceu, o último capítulo de Crise de Identidade acaba até sendo relativamente broxante. Até porque não interessa tanto o que está ali, mas o que acontecerá a partir da série. (E eu, que não acompanho a DC regularmente, acabei por ficar de fora da brincadeira.) De qualquer forma, Crise de Identidade tornou-se um marco não só para a editora, mas também para os comics em geral.
Completando o encadernado, há uma galeria de capas e comentários de Brian Meltzer e Rags Morales sobre momentos importantes da série, além das inpirações para Morales compor cada personagem e dos momentos favoritos da equipe criativa. São extras que fazem desta uma edição imperdível.
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Crise de Identidade – Edição Especial
Identity Crisis 1-7
De Brad Meltzer e Rags Morales
Panini, 268 pág.
R$ 39,90