
No primeiro tempo, o greminho foi (muito) melhor. No segundo, o INTER dominou. No final dos 90 minutos, o resultado acabou sendo justo. Justo pois, se o tricolor foi melhor no aspecto coletivo, o COLORADO mostrou a força da individualidade. E, com um golaço de NILMAR, chegou à quinta vitória em seis partidas no Gauchão.
Para os colorados, os primeiros 45 minutos foram de pavor. Tite manteve o trio de atacantes e acrescentou a eles Taison, o destaque do time nos últimos jogos. Com quatro homens na frente, o Inter abriu o meio campo para o tricolor deitar e rolar. Frequentemente, os laterais gremistas eram vistos na área colorada. Tcheco e, principalmente, Souza, tiveram total liberdade para chegar ao ataque. Não fosse a falta de pontaria (e a jornada espetacular de Lauro) e o tricolor poderia ter ido para o intervalo com a vantagem de dois ou três gols, tranquilamente.
Mas não, pois, como já falei antes, este era o clássico da individualidade. E numa cobrança de falta de D’Alessandro, William Magrão jogou contra o patrimônio: INTER, 1 a 0.

Tite viria a corrigir a escalação no intervalo. Manteve Taison em campo, retirando Alex, o craque do time e um dos melhores jogadores do Brasil em 2008. Em seu lugar, entrou Andrezinho com a tarefa de fazer a ligação entre o meio campo e o ataque.
Uma decisão que se mostrou acertadíssima. Com Andrezinho, o COLORADO equilibrou a disputa na meia-cancha e aumentou o volume de jogo consideravelmente. E o próprio meia deixaria de fazer o segundo gol colorado em uma defesa espetacular de Vítor. O melhor goleiro do Brasil haveria de salvar sua equipe em outro lance: bola cruzada e Nilmar bate de primeira. Vitor defende e o atacante bate novamente, de primeira. Mais uma vez, o goleiro gremista faria uma intervenção milagrosa, dessa vez com os pés.
O INTER dominava a partida, mas não mudava o marcador. Numa falha individual de Índio, o tricolor chegaria ao empate. Ruy tomou a bola do zagueiro colorado e cruzou rasteiro para Jonas, sem marcação, tocar a bola para o fundo das redes: 1 a 1.
A partir de então, tricolor passou a pressionar ainda mais fortemente. Em lance duvidoso (pois só foi esclarecido pela TV, em câmera lenta), Jonas marcou o segundo, mas o auxiliar anulou, alegando impedimento. Erro do trio de arbitragem, que falhou igualmente ao não expulsar Réver, que puxou Nilmar em clara e manifesta situação de gol. Souza foi outro que se livrou de um cartão (amarelo ou vermelho): o meia chutou a boca de D’Alessandro em disputa de bola, mas Carlos Simon preferiu contemporizar. Sem dúvida, a arbitragem deixou a desejar.

E quando o empate parecia o resultado final, eis que a individualidade mais uma vez decidiu. Em contra-ataque em alta velocidade, Taison arrancou pela esquerda e lançou Nilmar. O atacante ganhou da marcação e, de primeira, soltou a bomba, no ângulo direito de Vitor. Um golaço: INTER, 2 a 1.
Com o resultado, o COLORADO dispara na liderança do campeonato: com 16 pontos, está seis à frente do segundo colocado da sua chave e quatro à frente do líder da Chave 2, o Ypiranga de Erechim. O tricolor da Azenha, enquanto isso, amarga a sexta colocação e vê o título do primeiro turno cada vez mais longe.
Depois do surpreendente empate sem gols na primeira rodada, contra o Santa Cruz no Beira-Rio, o time de Tite acumula cinco vitórias consecutivas e desponta como favorito à conquista do Gauchão. Se até esta rodada isso não significava muita coisa, depois da vitória no gre-NAL o INTER passa a ter muito o que comemorar.

OS NOMES DO COLORADO
Lauro
Seguro, quando exigido.
Nota 8
Danilo
Fez mais do que Bolívar vem fazendo.
Nota 5
Índio
Falhou bisonhamente no gol gremista.
Nota 6
Álvaro
Soberano na área colorada.
Nota 8
Marcão
Não comprometeu, mas o lugar no time é de Kléber.
Nota 5
Guiñazu
Incansável, teve trabalho na primeira etapa.
Nota 6
Magrão
No mano-a-mano, deixou a desejar.
Nota 5
D’Alessandro
Foi caçado pela marcação tricolor.
Na sua especialidade, abriu caminho para a vitória.
Nota 6
Alex
Está devendo. E faz tempo.
Visivelmente afetado pelas negociações com o exterior.
Nota 5
Taison
Disperso no primeiro tempo, fez a diferença no segundo.
Um passe primoroso para o gol de Nilmar.
Nota 7

Nilmar
Matador. Definiu a partida.
Nota 9